COPPE desenvolve trem que flutua sobre trilhos

 

Jorge Bittar esteve na sexta-feira (25 de julho de 2008) no Laboratório de Aplicação de Supercondutores no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia -COPPE, no campus Fundão da UFRJ, para conhecer o projeto do trem MagLev Cobra que está sendo desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da universidade. A proposta é implementar o trem, ecologicamente correto pelo seu baixo índice de consumo energético e por não emitir poluentes, como alternativa de transporte no espaço urbano, prevendo a instalação de 200km de extensão de trilhos pela cidade do Rio de Janeiro.

O professor Richard Stephan (no lado direito da foto) comanda a equipe que trabalha no projeto inédito no mundo, apesar de apresentar algumas similaridades com outros dois desenvolvidos no Japão e na Alemanha. Ele apresentou a Bittar o protótipo do trem que levita através da criação de um campo magnético que permite que ele fique a um centímetro de distância dos trilhos e alcance uma velocidade de 70 km/h . Condutores de cerâmica são ativados por nitrogênio líquido a menos 200°C . Em contato com a base de ímã, ganham poderes magnéticos que fazem a estrutura flutuar.

Estrutura do MagLev

O MagLev Cobra é formado por vagões articulados e, como não mantém contato com o solo, é completamente silencioso, o que facilita sua instalação na superfície, dispensando túneis como os do metrô. Sua composição também permite que faça curvas com raio de até 30 centímetros e manobras em rampas de até 15º de inclinação, possibilitando a circulação em margens e canteiros centrais das vias. O leito viário tradicional já existente pode ser aproveitado e ele ainda pode compartilhar a malha com trens de carga.

O projeto recebeu o prêmio Coninfra (Congresso de Estrutura de Transportes), em 2008, como melhor trabalho na área de ferrovias e metroviária. Também recebeu menção honrosa na premiação Santander de Ciência e Inovação. Entre as principais vantagens do projeto em relação aos meios tradicionais de transporte estão o baixo gasto de energia, já que seu combustível é a eletricidade, o pequeno custo de implementação de manutenção (cerca de 1/3 se comparado ao que é gasto com o metrô) e a utilização de tecnologia desenvolvida no Brasil, dando impulso ao crescimento industrial e científico nacional.

Próximos passos e investimento

O próximo passo a ser dado pelo professor Richard é a construção de um MagLev Cobra em tamanho real que circule pelo campus da UFRJ num trajeto de 114 metros . A partir daí serão feitos testes e ajustes para que sejam dados os próximos passos. O primeiro é atravessar a universidade, ligando os prédios da COPPE e da reitoria numa extensão de 3 km e, num outro momento, ligar os aeroportos do Galeão e Santos Dumont, passando pela Cidade Universitária, Rodoviária, Praça. Mauá e Praça XV.

Um investimento de R$ 5 milhões será necessário para que o MagLev saia do protótipo para a realidade. A empresa Camargo Correa já investiu 10% no projeto, faltando levantar o restante. Ele já foi submetido ao governo do estado do Rio, ao BNDES (através do Funtec) e ao Cappes, pelo programa de inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia. Bittar prometeu interceder a favor do MagLev Cobra junto ao governo. “O trem otimiza a utilização do espaço urbano, sendo ecologicamente correto, relativamente barato e de tecnologia desenvolvida no Brasil” – elogiou.

Para conhecer mais sobre o projeto visite o site http://www.dee.ufrj.br/lasup

 
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