Após ter incluído meu nome numa lista de “mensaleiros” e “sanguessugas”, o jornal O Globo publicou na edição de segunda-feira, 21 de agosto, matéria restabelecendo apenas parcialmente a verdade dos fatos. Com base em informações incompletas e errôneas colhidas no site da ONG Transparência Brasil, a matéria publicada na edição do dia anterior, domingo - 20 de agosto, pelo jornal O Globo causou danos irreparáveis à minha honra pessoal e ao meu patrimônio de homem público. Em virtude do meu veemente protesto, O Globo tentou reparar, de forma absolutamente insatisfatória, o enorme prejuízo pessoal e político que sofri.
A começar pelo título da matéria de reparação - “Bittar nega aumento de patrimônio” -, o jornal O Globo me expôs numa posição defensiva. Tendo em vista que demonstrei de forma categórica, com a apresentação de todas as minhas declarações de renda aos editores do jornal, que é mentirosa a informação de que meu patrimônio teve crescimento de 399% entre 2002 e 2004, o mínimo que eu esperava era que O Globo assegurasse aos leitores que comprovei, e não apenas neguei, a improcedência da informação.
Durante entrevista na noite de domingo na própria redação do jornal, também frisei, por diversas vezes, que o registro da minha candidatura já havia sido homologado, o que não aconteceria se eu estivesse respondendo a qualquer processo no Supremo Tribunal Federal. Isso, no entanto, não foi esclarecido aos leitores. Na ocasião também protestei contra o fato de o jornal ter reproduzido as informações contidas no site da ONG Transparência Brasil sem ter feito qualquer tentativa de me ouvir antes da publicação da matéria.
Ou seja, a “verdade” da mídia se sobrepôs à verdade dos fatos. O clima de denuncismo irresponsável ainda persiste e continua a manchar reputações, comprometendo pessoas e instituições. Graças ao poderoso instrumento de comunicação que é a Internet, informações incorretas ou mentirosas correm o mundo em segundos, são acatadas pela imprensa de forma açodada e ganham foros de “verdade” ao serem reproduzidas no papel. Imagens de homens públicos, forjadas em anos de trabalho, estão sendo desconstruídas de forma inconseqüente e irresponsável.
A palavra transparência, tão em voga atualmente, é algo imprescindível em quaisquer relações, principalmente nas que envolvem credibilidade como a do cidadão com o homem público. Mas, para ser eficaz, a transparência requer comprometimento com a verdade, com a imparcialidade e com correta apuração dos fatos. Transparência sim, mas com responsabilidade. |