Jorge Bittar explica que os arranjos produtivos locais tiveram início na Itália, no pós-guerra . A Itália estava arrasada e o capital dilacerado, mas os italianos sempre foram grandes artesãos e havia muitos operários qualificados sem emprego . Tal como ocorre em outros países europeus , na Itália sempre houve uma cultura comunitária muito forte . A união desses fatores - operários especializados sem capital e a experiência comunitária - fez com que surgissem muitas pequenas empresas para desenvolver determinados produtos , como calçados , confecções , implementos agrícolas , entre outras. Esses pequenos empresários começaram a perceber a necessidade de se unirem para fazer face aos grandes grupos econômicos internacionais que estavam querendo entrar na Itália. Essa união permitiu que eles pudessem comprar matéria-prima e insumos em larga escala a preços mais baratos e que se desenvolvessem vários distritos industriais no país.
De acordo com Bittar, " aqui no Brasil se entende por distrito industrial apenas uma área que concentra indústrias , mas na concepção italiana é um contingente de centena de pequenas empresas que , de forma associativa, se qualificam para competir internacionalmente . Isso contribui também para a fixação da marca de qualidade ." Ele explica que , no caso de alguns produtos , a simples menção à origem do produto já é uma demonstração de qualidade . " Quando se fala em sapato italiano, o que vem à cabeça é um calçado bem feito e bonito . Eles conseguiram imprimir essa marca de qualidade , não importando se o fabricante é A, B ou C" - diz Jorge Bittar.
Segundo ele , essa união facilita as exportações . Uma pequena empresa tem grandes dificuldades para exportar seus produtos , mas um conjunto de pequenas empresas tem massa crítica para atingir o mercado externo . Hoje há vários distritos industriais italianos que geram muitos empregos e respondem por uma parcela muito significativa da economia italiana. O exemplo italiano chamou a atenção de estudiosos de desenvolvimento econômico em todo o mundo . A partir daí, começaram a surgir experiências semelhantes em vários países , que foram denominadas de arranjos produtivos locais .
Especificamente no Estado do Rio , além do exemplo bem sucedido de Petrópolis, também há o de Friburgo, onde existia grande quantidade de pequenas empresas fabricantes de renda . Por circunstâncias de mercado , muitas delas faliram. Mas havia muitos especialistas em lidar com a renda , homens e mulheres que estavam desempregados. Então foram criadas pequenas empresas de fundo quintal para produzir lingerie , que é um produto que utiliza muita renda . Essas empresas começaram a se multiplicar , mas de maneira dispersa .
Através de uma ação conjunta do Sebrae, da Firjan, da Fundação Getúlio Vargas e outros organismos , começou um processo de qualificação dessas pequenas empresas . Com isso , foi possível fazer uma união para comprar insumos mais baratos e atingir um padrão de qualidade com vistas ao mercado externo . No mercado interno de moda íntima , 20% são produzidos em Friburgo atualmente . De acordo com Bittar, há muitos outros exemplos bem sucedidos, como o da moda praia em Cabo Frio , o de sapatos em Duque de Caxias , o de cachaça em Paraty e o de pedras ornamentais em Santo Antônio de Pádua.
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